Blog de Opinião de HENRIQUE DIAS PEDRO; Normalmente às 3ªs. feiras
Terça-feira, 1 de Maio de 2007
Outra Vez As "Extremas" - De Todos Os Lados

Temos de facto um sistema político “do outro mundo”.

Nos últimos tempos, e já a semana passada aqui abordámos este assunto, têm acontecido em Portugal alguns fenómenos curiosos de ressurgimento de ideias de direita política à moda antiga.

Ocorre-me um facto com alguns, não muitos anos.

A guerra de audiências das televisões era liderada, com segurança e uma programação agressiva, pela SIC.

De repente, e porque ao que se soube então, aquela estação não acreditou na compra de um produto que estava a fazer algum sucesso nas televisões europeias, deixou-se ultrapassar pela TVI, com uma coisa popularucha e de algum “mau gosto”, chamada “Big Brother”.

Foi o bom e o bonito em Carnaxide, com as comadres e os compadres a zangarem-se e a mutuamente se demitirem, ao ponto de o até aí todo poderoso Emídio Rangel também não ter resistido.

Pois bem…a RTP lembrou-se de aplicar em Portugal a receita de um concurso para saber quem os portugueses consideravam o “maior português de sempre”.

O mundo lusitano pasmou.

Ganhou Salazar.

A partir daqui têm-se multiplicado os acontecimentos.

A novela do museu em Santa Comba Dão.

O PNR (Partido Nacional Renovador), partido que ao que parece está perfeitamente legalizado, e ao que dizem os “entendidos”, ser um partido de extrema direita, a aparecer com uns cartazes xonófobos, e o anúncio de um encontro internacional de organizações de extrema direita.

Uma coisa chamada URAP (União de Resistentes Antifascistas Portugueses) a interpor-se ao caminho, e nem pelas almas de Lenine deixará que o tal museu se instale em Santa Comba.

Jerónimo de Sousa a vociferar impropérios contra toda a direita, sem distinção, dizendo alto e bom som que, o que essas organizações e partidos querem é o regresso ao fascismo.

A Constituição da República proíbe qualquer divulgação, defesa e propaganda de ideais fascistas e anti democráticos.

E, hoje dia do Trabalhador, o já referido PNR quer organizar uma marcha em defesa dos explorados.

Isto não é bem um filme de far-west, mas anda lá perto.

Recuando una anitos, lembremos que no chamado pós 25 de Abril, ali para os lados de Santa Comba Dão, um grupo de heróis da liberdade e da democracia derrubou uma estátua que ali existia de Oliveira Salazar.

Atente-se apenas que estamos a falar da sede de concelho da terra natal do dito.

Como é óbvio, e qualquer mente minimamente esclarecida facilmente percebe, o simples facto de se deitar abaixo a estátua, fez com que, tanto no plano político, como no âmbito mais discreto do Código de Registo Civil, Salazar tivesse deixado de nascer no dito concelho.

E agora, a anunciada manifestação do PNR para hoje, transportará alguns cartazes de propaganda de extrema direita, à Hitler (é assim que está referido pelo semanário “Sol”), onde se diz: “Trabalho Nacional; Prioridade Nacionalista” sendo estas legendas acompanhadas da figura de um trabalhador estilo germano-soviético empunhando um valente martelo.

A primeira coisa que não se percebe muito bem é porquê, sendo o fascismo assim tão mau, há para aí uns “portuguesitos idiotas” que querem o seu regresso.

A segunda coisa que não se percebe é que relação existe entre Salazar e o PNR.

A terceira é constatar que, para as super mentes que dominam o pensamento político em Portugal, tudo o que é de Direita é fascista.

A quarta coisa imperceptível é porquê o dito partido político continua legalizado.

Então e a Constituição?

Ou será que, sendo de outras extremas que não a direita, andam por aí uns partidos e organizações que nem no nome têm a palavra “democracia”, e que se se levasse o cumprimento da Constituição a peito, não poderiam tais partidos e organizações existirem?

Mas afinal, a liberdade de fazer e dizer o que apetece é só para alguns?

Recordo um artigo que escrevi em outro Blog, já lá vai mais de um ano, em que falava do “direito ao insulto”.

Disse nessa altura, e mantenho agora, que em Portugal continuam a existir dois pesos e duas medidas.

Uma palavra ou frase considerada insultuosa, proferida por alguém com opções políticas de direita, é imediatamente conotada com o desejo de regresso ao fascismo, o regresso da repressão, o fim da liberdade de opinião, e todos esses chavões que ao longo dos anos têm enchido as mentes e o umbigo dos nossos idealistas, e têm emagrecido os bolsos do povo.

A mesma palavra ou frase proferida por alguém dito de esquerda é um hino à democracia, uma gloriosa manifestação de fervor democrático e defesa acérrima da soberania popular.

Pois…pois.

O que é curioso é lembrarmo-nos de que este tipo de táctica foi usado ao longo dos anos por algumas figuras que hoje ocupam, ou até há pouco ocuparam, altas postos na hierarquia do Estado.

E que agora falam pouco, para não dizer “nada”, acerca destes últimos acontecimentos.

Como já é vulgar em Portugal, o mais provável é não haver manifestação nenhuma do PNR.

Numa atitude dita securitária, as nossas estruturas policiais encarregar-se-ão de a impedir. Não pela manifestação em si, mas pelas consequências que poderá vir a ter.

E aqui cabe a pergunta:

-Não seria melhor prova de civismo deixarem essa minoria fazer as manifestações que quiser, desde que não provoquem distúrbios à ordem pública, e ninguém se meter com eles, não lhes dando importância nem os provocando, de modo a não lhes dar pretexto de qualquer agressiva resposta?

-Não seria igualmente prova de maturidade cívica não dar qualquer importância à criação de um dito museu na terra natal de Salazar?

-E não está à vista, até pelos números que foram anunciados, que quem votou Salazar no dito concurso de televisão, é uma minoria inexpressiva de portugueses?

-Ou será que as coisas em Portugal não estão assim tão bem que os nossos “mentores” tremem de medo que aquilo que não passa hoje de uma minoria insignificante possa deixar de o ser?

-E se for isto a culpa é de Salazar ou de quem?

-Que diabo o homem já morreu há quase quarenta anos.

-A Revolução Libertadora foi há trinta e três anos.

E de há 33 anos para cá os nossos “mentores” encarregaram-se de apagar e destruir os símbolos visíveis do salazarismo e do antigo regime.

Mas será que têm sabido governar os destinos do país?

Ou têm-se governado à custa dele?

E esqueceram-se que a “História” não se apaga?

 

Henrique Dias Pedro

 



publicado por H.Dias Pedro hdp às 00:31
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1 comentário:
De Anónimo a 23 de Maio de 2007 às 22:31
Caro autor, é uma grande verdade que a história não se apaga. Aliás ela ensina-nos, enriquece-nos e além de fazer de nós aquilo que somos hoje ensina-nos a aprender com o passado e poder antever certas situações futuras!! Engraçado a preocupação que certas camadas da nossa sociedade sentem com as situações que referiu.. Mas mais importante ainda para mim, foi o facto que referiu de frases proferidas por pessoas com ideologias de direita ou com ideologia de esquerda e suas consequentes e diferentes interpretações. Mas o que é que se há-de fazer, por vezes julgo que a iliteracia em portugal é maior do que aquela que os dados estatísticos divulgam...E quanto ao aproveitamento político que personalidades ligadas à esquerda fazem do 25 de Abril, nem merece de igual modo um comentário.. Aquilo que é necessário é que seja o povo a aprender com os seus erros de modo a ele mesmo tomar em si o côntrole do seu futuro e evitar erros que já começam a ser por demais insistentes na nossa sociedade! É este o meu desejo!! Um Grande Abraço Nugui


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