Blog de Opinião de HENRIQUE DIAS PEDRO; Normalmente às 3ªs. feiras
Terça-feira, 15 de Maio de 2007
Ei-los Cheios de Pressa, E Como Se Fazem Favores de Oposição

É incontornável a situação relativa à rasteirice com que os políticos europeus tentam enganar os cidadãos. Ocorreu agora, segundo noticia o “Expresso” uma Cimeira Informal em Sintra, nas vésperas do início da presidência portuguesa da União Europeia, e onde esteve presente Hans Gert Poettering, Presidente do Parlamento Europeu.

Este senhor teve o desplante de dizer, melhor, anunciar, avisar, que ou os países europeus se portam bem (no entendimento dele) no que respeita ao novo Tratado Europeu (sabendo nós bem o que eles querem dizer com isso) ou vão surgir grandes problemas a curto prazo na União Europeia.

Teve ainda o desplante de atirar para cima dos ombros de Portugal a responsabilidade de que isto seja bem sucedido, ao dizer que será possível resolver o problema constitucional até ao fim do ano, durante a presidência portuguesa, de modo a que o processo de ratificação possa decorrer na presidência seguinte, portanto, durante o primeiro semestre de 2008.

 

Eles andam cheios de pressa, e mais uma vez manifestam que têm medo do voto do povo. É que, este mesmo senhor disse, assim a modos de um fariseu disfarçado, que a ele tanto se lhe dá que a ratificação seja feita por referendo ou por votação parlamentar, mas…na sua opinião pessoal, prefere esta última.

 

E ainda confrontado com a recente eleição de Sarkozy como presidente da França, e sabendo-se que este é defensor de um mini-tratado europeu e não de uma grande solução constitucional, o senhor Poettering disse o seguinte:

 

"O futuro da Europa passa pela França, pelo que necessitamos de uma solução que a inclua. Isto significa que espero do novo Presidente uma visão positiva".

 

Ou seja, leva o recado para casa, e porta-te bem Sarkozy.

 

E o senhor Gert Poettering remata a sua diatribe pseudo democrática com aquilo a que as gentes da psiquiatria e da psicanálise chamam de acto falhado.

Disse o cavalheiro que a Europa precisa de um Parlamento Europeu mais forte e decisor, que partilhe o poder com o Conselho Europeu, de modo a tornar a Europa mais coesa e segura.

Ora…de onde são normalmente recrutados os membros do Parlamento Europeu?

Exactamente, de entre os actuais e potenciais membros dos parlamentos nacionais.

Está tudo dito.

Tenho muita pena, mas a presidência portuguesa da União vai decorrer sob a égide um Governo português, resultante de uma maioria absoluta obtida em eleições portuguesas, e ganhas por um Partido Político Português (o PS) cujo líder sempre disse em plena campanha eleitoral que a questão do Tratado Constitucional Europeu só poderia resolver-se em Portugal através de um referendo.

Esse líder é o nosso actual Primeiro Ministro, e a menos que queira passar por alguém sem palavra, não pode deixar de cumprir aquilo que prometeu ao povo do seu país.

Bem sabemos que, muito recentemente, e bastante influenciado por um outro fariseu chamado Durão Barroso, José Sócrates já veio dizer que a sua opinião só poderia mudar se houvesse uma indiscutível onda europeia anti referendo.

Meus caros senhores:

-E a opinião dos portugueses que votaram, não conta?

Até admito que o nosso Primeiro Ministro se sinta desconfortável com esta situação, e esteja a ser fortemente pressionado por todos os lados para mudar de opinião.

Daqui lhe lanço um apelo: Não mude!

Apesar de não ter tido o meu voto, o senhor é,  de acordo com aquilo a que as nossas leis me obrigam, o meu Primeiro Ministro, é a si que devo respeitar e obedecer enquanto tal.

Ou então, a democracia que nos apregoam não chega sequer a ser uma batata. Não passará de um fruto sem sumo e apodrecido.

E atenção, isto diria do mesmo modo se o Primeiro Ministro fosse outro e de outro partido, e tivesse feito na campanha as mesmas promessas.

É que estamos a falar no terreno das convicções profundas, no terreno da seriedade dos homens,  não estamos a fazer uma qualquer brincadeira de esconde-esconde.

E quando falo na minha opinião, atrevo-me a invocar a opinião de todos os portugueses que votaram nas legislativas de 2005.

Com que direito se enganam as pessoas, independentemente do sentido de voto de cada um, tendo-lhes prometido uma coisa, e depois faltando à palavra dada como quem troca um orçamento por um queijo?

O nosso Primeiro Ministro tem feito questão de se apresentar como um homem sério, que preza a honradez acima de tudo.

E ainda recentemente se viu a sua reacção a propósito da historieta da licenciatura.

Esperemos para ver…

 

E quanto ao favor, uma breve referencia a outra notícia do “Expresso” e que tem a ver com o programa da RTP “Prós e Contras”.

Então o PSD queixou-se em Novembro de 2006 de ser prejudicado em matéria de número de presenças no dito programa, e a ERC, Entidade Reguladora para a Comunicação Social, acaba por chegar à conclusão de que, contabilizados todos os programas até agora emitidos, o PSD é precisamente aquele que tem tido mais representantes em palco?

Não haverá ninguém no PSD que saiba influenciar o partido a dedicar-se a coisas maiores, e deixar-se de queixinhas tão minudentes como esta?

Como é evidente estamos em presença daquela velha situação de se virar o feitiço contra o feiticeiro.

Dá-se de bandeja aos adversários políticos um argumento para menorizar as tomadas de posição do partido.

Além de ser assunto menor mostra à saciedade que para os lados do Partido Laranja falta garra para atacar as verdadeiras questões.

Que importância tem haver mais ou menos representantes do partido A ou B num programa de televisão?

Não é por aí que se ganham eleições, e o que fica de imagem é a fragilidade, o vazio de ideias, a falta de tema de fundo para saber ser  oposição e eventualmente futuro governo.

Haja alguém que ponha a casa em ordem.

 

Henrique Dias Pedro



publicado por H.Dias Pedro hdp às 00:10
link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Anónimo a 21 de Maio de 2007 às 21:58
Caro autor apreciei bastante este artigo, ele aborda e trata de temas importantes não só para o futuro do continente e espaço político europeu, mas também e, intimamente relacionado com este, com o valor que têm os votos após as eleições. Gostava de referir que, apesar de todas as divisões e de ser complexo este assunto, tenho orgulho de ter nascido neste Continente, que tanto fez para moldar os desígnios do mundo durante tanto tempo. Mas bem diferente é a Europa política, e muito particular as instituições políticas europeias actuais. No nosso país, bem como em muitos outros a Lei Fundamental, Suprema, i.e., a "Lei" que se encontra no topo da piramide normativa e à qual todos os outros ramos jurídicos devem estar conformes é a Constituição, no nosso caso a Constituição da República Portuguesa, que por conter em si matérias tão importantes como o são os princípios fundamentais constitucionais, a organização económica,e a organização do poder político, ocupam e possuem dentro da nossa sociedade actuais um papel de trave mestra e orientador dos limites à intervenção política, bemcomo também os fazes aquelas constituições além fronteiras, ou no caso de inexistência da mesma, de textos que a ela são comparáveis pelo seu valor, conteúdo e finalidade. Bem vistas as coisas considero que o Tratado que estabelece uma constituição para a europa não só parece como uma cópia do modelo das constituições nacionais europeias, como em último caso contrariaria a sua "divulgada" finalidade e iria criar mais factores de divergência e divisão, ou então acordaria horrores já adormecidos, como o foram as lutas pela conquista das nacionalidades, personalidades comuns culturais dos povos, identidade nacional, etc, e assim, em meu entender, em vez de criar algo muito semelhante às normas constitucionais, iria a médio prazo fomentar disputas, guerras, e muito provavelmente dar origem a conflitos já ultrapassados na nossa história. Há também que salientar o facto de que já existem normas internacionais que possuem valor supra-nacional, e às quais os direitos internos dos povos se devem submeter e respeitar. Sendo assim pergunto onde está a necessidade da existência de uma pseudo-constituição europeia? Quanto à preferência do referido sr. de que a votação ao tratado deveria ser feito pelos diversos parlamentos e não pelos povos nem comento, além de tentar passar um atestado de estupidez a todos os cidadãos europeus, nega-lhes também o direito de decidirem o desígnio dos seus povos e subverter assim aquilo que originalmente originou o conceito de democracia!!! Um grande aplauso então para Hans Gert Poettering!!!!!!!!!! UM GRANDE ABRAÇO NUGUI


Comentar post

BLOGS A VISITAR: Siga LINKS abaixo: ABORDAGENS (Diário); O TRIPÉ-FÁBULAS (2ªs.feiras); CONCRETO E IMAGINÁRIO (Seman.Sol - 5ªs.feiras); TODOS AO BANHO (Humorístico);
pesquisar
 
posts recentes

PORTUGAL, SERIEDADE, DEMO...

arquivos

Maio 2008

Outubro 2007

Setembro 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds