Blog de Opinião de HENRIQUE DIAS PEDRO; Normalmente às 3ªs. feiras
Terça-feira, 3 de Julho de 2007
Jogo Viciado

Este artigo foi publicado pela 1ª. vez no blogue “O Tripé” em 11 de Abril de 2006. O Tripé passou  a Fabulário. Republica-se agora na íntegra em “A Muralha”, Salvaguardando alguns pormenores, mantém-se actual.

 

Jogo Viciado

 

Estava mais ou menos determinado pela força natural das coisas que haveríamos de retornar ao tema "Europa".

Somos verdadeiramente incapazes, nós cidadãos europeus, de saber bem o que queremos, que Europa pretendemos, que coisa é essa, pátria das pátrias, pátria inerte sem nome nem história, ou apenas um conjunto de milhões de pessoas com línguas diferentes, valores diferentes, expectativas diferentes, competencias diferentes, que resolveram deixar-se iludir num passe de mágica política fundamentalista, megalómana e absolutamente inócua.

União Europeia? Não é um mito, é uma completa aberração.

Moeda única? Não é um pesadelo. É uma obra de arte dos países económicamente mais poderosos que convenceram os mais pequenos de serem capazes de chegar ao nível económico dos países mais desenvolvidos apenas por aderirem à mesma moeda. Ilusão das ilusões ou quimera suicida de quem acredita nos "bons gigantes".

Neste quadro mirífico de igualdades impossíveis Portugal tem feito o triste papel de pedinte e tolo. E a melhor maneira de enganar os tolos...

Pois é...como os grandes não se entendiam deram-nos a presidencia da Comissão Europeia.

Mas já alguém reparou que o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso de seu nome, não tem poder nenhum?

Passa a vida em reuniões internacionais que não controla, a debitar decisões que não são dele, a fazer declarações de crença absoluta na igualdade europeia, quando está à vista desarmada que não há igualdade nenhuma.

E onde estão o poder económico e o desenvolvimento capazes de tornar 25 países todos iguais?

Para que serve uma coisa chamada Pacto de Estabilidade e Crescimento (nome pomposo para enganar tolos) senão para garantir a predominancia económica e política de 3 ou 4 gigantes nações sobre as outras 20 ou 21 ?

Os franceses e holandeses complicaram o processo da Constituição Europeia? Pois já se fala em encontrar outros processos para que essa Constituição vá por diante, contra a vontade dos povos, sem ouvir mais ninguém além dos eurocratas que enchem os bolsos sem fazerem coisa nenhuma além de viagens semanais entre Estrasburgo ou Bruxelas e os seus países de origem.

Será o processo europeu um exemplo de seriedade ou um embuste?

E em Portugal o subdesenvolvimento, o desemprego, as falencias em catadupa de empresas têm algo a ver com o euro? Claro que não, dirão os mais acérrimos europeístas.

Confesso que tenho saudades do "escudo" aquela moeda diferente, que era minha e do povo a que eu sentia pertencer, e que me causava uma sensação de orgulho por poder reconhecer-me o direito de ser diferente.

Com o euro sinto-me num país pigmeu permanentemente abanado por gigantes que me dão ordens do que posso ou não posso gastar, que me impedem de fazer as obras públicas que eu entendia ter o direito de fazer, que me tolhem a capacidade de movimentar livremente nos circuitos financeiros do meu país o dinheiro que nele existe, mas que, para todos os efeitos, não é meu.

Mas ainda é verdade que os gigantes também caem.

Ainda é verdade que a força dos povos consegue pela razão impedir as tolices de uns quantos teóricos de gabinete obrigados a satisfazerem clientelas com medidas de pura cosmética.

Os problemas com as alterações da idade de reforma no Reino Unido, as crises com as profissões médicas na Alemanha, as exigencias salariais em algumas indústrias italianas, e o caso exemplar do famoso CPE em França.

A história ensina-nos que a França sempre foi um motor de revolução social na Europa. E o que os últimos acontecimentos demonstraram foi que a tentativa de liberalização do despedimento para jovens em primeiro emprego com menos de 26 anos, dando de bandeja aos empregadores a possibilidade de substituição permanente de uns jovens por outros em primeiro emprego, sem terem de suportar os custos sociais daí inerentes, só veio comprovar a completa incapacidade dos políticos europeus para gerarem soluções credíveis de estabilidade social e desenvolvimento, com respostas satisfatórias para os anseios dos povos que eles governam.

O que se verifica pela Europa fora é o cada vez maior afastamento do cidadão comum em relação aos eurocratas.

E a triste figura que o primeiro ministro francês acabou por ter de assumir só veio confirmar que afinal, de tão essencial que era o famoso CPE, essa essencialidade só se explicava na urgente necessidade de tentar apresentar falsas soluções num show off político completamente vazio de sentido e fundamento.

A França vai continuar a sobreviver sem CPE.

Provàvelmente o primeiro ministro francês não sobreviverá políticamente.

No entanto, e até nova ordem das coisas, continuarão a existir políticos que vêem na cosmética a pretensa salvação das suas carreiras.

A ver vamos...

Henrique Dias Pedro

 



publicado por H.Dias Pedro hdp às 00:03
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