Blog de Opinião de HENRIQUE DIAS PEDRO; Normalmente às 3ªs. feiras
Terça-feira, 10 de Julho de 2007
Título Absolutamente Desnecessário

Este artigo foi publicado pela primeira vez em “O Tripé” em 5 de Janeiro de 2007. O Tripé passou a “Fabulário”. Republica-se agora na íntegra em “A Muralha”.

Título Absolutamente Desnecessário

 

A perseguição continua mais ou menos encapotada, servida em discursos de frase feita como convém a quem nada mais sabe do que vender promessas, e mostrar-se pretensamente inovador, digamos original, criativo, promotor.

O faz de conta está a tornar-se a lei dominadora do mercado dos pensamentos onde rende mais o artigo acomodado ao poder do que a defesa de convicções. Serve até de suporte ao triunfo cada vez mais sonante e descarado do supérfluo, da hipocrisia feita virtude, do ridículo, da banalidade tornada criação intelectual e científica, da mera alteração de conceitos para se inovar (?) com idéias ou projectos que eram já conhecidos dos nossos antepassados, para se apresentar como vitoriosa uma qualquer pretensa estratégia de confronto de idéias limitando-se a aderir ao adversário fingindo que se convenceu este a mudar de propostas ou a ceder em coisas que ele sempre se recusou sequer discutir.

É rídiculo, mas é também grotesco, e é acima de tudo um claro sinal de que a vergonha é coisa do passado.

Talvez seja...

Mas talvez também por isso vêem-se quem são os triunfadores dos tempos modernos.

 

Ainda não percebi quem  no fim de contas condenou à morte Sadam Hussein. Não é que pessoalmente nutra por ele qualquer admiração pessoal ou política. Bem antes pelo contrário. Mas, como diz o bom povo português, e seja-me desculpado o atrevimento da linguagem, se há coisa que me chateia é tentarem fazer de mim parvo. E isto aplica-se tanto ao caso do Sadam como ao dos novos doutorados em comportamento social e técnicas de intervenção pseudo pedagógica, pois é a esses que se refere o primeiro parágrafo deste artigo ( isto para o caso de ter pairado alguma confusão no início da leitura).

 

E se há outra coisa que me chateia é quererem normalizar-me, não só a mim pessoalmente mas à sociedade a que pertenço, querendo impor métodos de comportamento uniformizados, ensinando-me o que devo ou não fazer, o que posso ou não dizer, como devo educar os meus filhos, a que horas devo ler o jornal, ou qual o canal de informação mais apropriado para acompanhar, qual o país que não devo visitar ou então que melhor ementa para elevar o meu nível cultural, para já não falar das causas a que deveria dedicar-me, e do sentido que devo dar ao meu voto quando de tempos a tempos pensam que eu acredito que ao votar estou a contribuir para mudar para melhor a política do presidente da minha junta de freguesia e a tornar mais rentável a tendencia de preços do dono do mini mercado do meu bairro.

 

Desculpem-me (eis o politicamente correcto) mas só apetece dizer uma coisa a esses senhores: Vão à fava!...

 

Como é que um firme aliado do passado se transforma de repente num inimigo perigoso a apanhar, vivo ou morto, e depois se entrega de mãos lavadas à justiça de terceiros, vendo-se de fora o resultado como se nada fosse connosco?

Cometeu crimes? E então?...Não anda por aí tanto delinquente encapotado a comer soberanamente à mesa de quem manda?

 

Sim sim, a corrupção pois claro. Ninguém a vê? Ou só se vê aquela que convém e que não atinja os nossos queridos amigos instalados na sombra?

E os arautos do moralismo bacoco que às vezes mais parecem formados num qualquer seminário dos tempos medievais, será que fizeram voto de pobreza? Ou de viverem sentindo na pele, nos ossos e na alma as agruras e dificuldades do quotidiano daqueles que dizem querer defender? Ou antes, voltando a servirem-se do políticamente correcto, invocam que defender quem trabalha não obriga a que se seja operário? Pois...professor de qualquer coisa dá mais jeito. Talvez sóciopatologia ou moralidade financeira.

Há para aí um canhoto caderno de apontamentos que se inflama quando fala destas coisas, e tenta levar as massas a acreditar que são diferentes de tudo o resto, mais impolutos que a própria sombra do Santo António, e mais ardentemente sofredores pelos desfavorecidos do que São Francisco Xavier.

Pois...quem não os conhecer que os compre...ou como também diz o povo, se a vaca não dá leite é porque o boi não presta.

Qualquer dia uma qualquer senhora vai publicar um best seller todo dedicado a revelar segredos de alcova, ou a manifestar públicamente o seu orgulho pelo número de abortos que praticou. Abortos não, interrupções voluntárias. Seja. Mas por acaso perguntaram ao ser humano em gestação se queria interromper alguma coisa?

E crimes de extorsão praticados à sombra de laços de família, qual máfia organizada ao melhor estilo italiano que, mesmo não manifestando pública opinião, se acoberta no silencio do sangue, dando guarida ao palmanço mais descarado?

Já em anterior artigo se disse que a família deixou de ser há muito o centro nuclear da formação humana, a escola formadora de cidadãos, a base de interiorização de coisas que, em tempos que já lá vão, eram fundamentais ao equilíbrio social como a dignidade, a coerencia, o sentido crítico construtivo, a seriedade, a lealdade e por aí fora...

Infelizmente parece haver algo em que a famosa sabedoria popular se enganou e vai sendo tempo de revermos alguns conceitos sob pena de sermos todos engolidos na voracidade do famoso faz de conta.

Com tudo o que vai acontecendo nos tempos que correm sou levado a acreditar que afinal o crime compensa.

Haja santo que nos valha...

 

 

Henrique Dias Pedro



publicado por H.Dias Pedro hdp às 00:03
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