Blog de Opinião de HENRIQUE DIAS PEDRO; Normalmente às 3ªs. feiras
Terça-feira, 4 de Setembro de 2007
O Princípio de Tudo

Entrámos em Setembro e vem de imediato à lembrança que este é o mês de eleições no PSD.

Parecerá demasia falar já deste assunto.

Com efeito, e descontados um ou outro falso ponta de lança mais ou menos carnavalesco, temos diante um cenário repetido.

Mais ou menos há dois anos e meio, no Congresso de Pombal, defrontaram-se exactamente os mesmos dois grandes candidatos a líder do Partido.

Embora num contexto diferente, na ressaca de uma derrota eleitoral demasiado expressiva nas legislativas, e tentando repor alguma dose de tranquilidade nas hostes, depois da experiência Santana, verifica-se hoje, de algum modo, um conjunto de circunstancias semelhante.

Muito recentemente o PSD não se saiu muito bem na foto de umas eleições autárquicas demasiado importantes, no caso concreto, as eleições para a Câmara de Lisboa.

Vai daí, e como de resto começa a tornar-se péssimo hábito, qualquer derrota eleitoral significa crise de liderança, e uma aparente clarificação das coisas e separar de águas afigura-se a melhor solução.

Marques Mendes terá feito muito bem, no entender de alguns, ao promover as eleições directas ainda para 2007.

Outros dirão que tal significa uma real fragilidade do líder, necessitando de uma manobra estatutária para reganhar espaço de intervenção, e afastar definitivamente os fantasmas de potenciais concorrentes no seio do Partido.

Nem uma nem outra destas conclusões me parecem ajustadas.

Não pondo em causa a seriedade política, nem questionando aquilo que é evidente aos olhos de qualquer um, isto é, existem figuras dentro do PSD que se acham mais social democratas do que todos os outros, e daí retirarem para si próprios um pseudo estatuto de “líder natural”, com isso minando a própria estabilidade interna, dando insensivelmente trunfos aos seus principais adversários, considero que Marques Mendes, ao provocar a marcação das directas na sequencia da derrota em Lisboa e das críticas internas que sofreu, cedeu à tentação fácil de conseguir uma vitória de Pirro.

No Congresso de Pombal foi visível que outras notáveis figuras do Partido, potenciais líderes, se resguardaram perante o cenário de uma longa travessia do deserto com uma maioria socialista no poder.

Marques Mendes e Filipe Menezes protagonizaram na altura a coragem de afrontar esse período difícil.

Ganhou Marques Mendes e, custe o que custar há que dizer neste tipo de assuntos que tudo se passa como num “teatro de guerra”. Quando a situação se torna mais difícil, a solução é cerrar fileiras, reenquadrar as tropas, aguentar em total unidade os embates, e preparar o terreno para um contra ataque no momento próprio.

Aquilo que infelizmente se viu no PSD ao longo de mais de dois anos não foi nada disso.

Em matéria de unidade, e falando de algumas das principais figuras do Partido, o que se viu foi uma estratégica demarcação das posições assumidas pelo novo líder, uma gradual e sistemática atitude resguardada, um “não tomar posição” quando o reforço da posição do Partido imporia aparecer em público ao lado do líder.

Há de facto pessoas que são especialistas em jogos de casino.

Há de facto pessoas que são especialistas na política do “faz de conta”.

São maneiras de estar.

Mas se esses especiais dotes fossem apenas usados sem sequelas para mais ninguém, a começar pelo próprio PSD, não viria grande mal ao mundo.

O caso está em que tais dotes, se é que de dotes se trata, se transformam em armas de arremesso interno, enfraquecendo o Partido, e dando o mote para um tranquilo passeio da maioria socialista, sem ter de se preocupar muito com o principal partido da oposição.

Num tempo difícil Marques Mendes tem tido a coragem de enfrentar todos os embates.

Verdade que nem sempre se saindo bem.

Mas a pergunta é:

-E que fariam em idênticas situações muitos dos seus habituais detractores internos?

As directas de 28 de Setembro nem se apresentam como umas verdadeiras eleições para escolha do líder partidário.

Têm mais um sabor a desforra, como nos campeonatos de xadrez, em que o vencido vai preparando psicológicamente o terreno para pedir a desforra quando achar oportuno.

Não está em causa a nobreza inerente a uma eleição.

Entristece, porém, ver que no PSD, os donos dos trunfos continuam resguardados, sendo Mendes e Menezes os peões que aceitam jogar, pela segunda vez,  um jogo de que não detêem as principais cartas.

Seja qual for o resultado, não é crível que o Partido fique melhor do que está.

Nem de resto a situação política do país é propícia a uma completa alteração de posições.

A oposição vai fazendo o que pode, num quadro de quase total afastamento da generalidade dos cidadãos pelo assunto político.

Não será, porém, muito de admirar que se ergam outras vozes a reavivar a instabilidade, servindo às mil maravilhas esse jogo de faz de conta.

Por isso melhor seria ter deixado tudo como estava, não dando o espectáculo da insegurança política, imagem que, pelo seu próprio estatuto e tradição, está interdita ao PSD.

Mas já que vão ter lugar as directas, saiba o Partido aproveitá-las.

A hora é de unidade e não de desafios internos.

Henrique Dias Pedro

 



publicado por H.Dias Pedro hdp às 00:03
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